Sexta-feira, Julho 03, 2009

Jornalismo de excelência

Hoje, o Jornal Nacional de Sexta Feira da magnífica Manuela Moura Guedes dedicou 29 minutos (!) ao massacre primário e totalmente demagógico do politicamente defunto ministro dos corninhos.
Até deu dó!!!

Os cornos do sistema

Gabava-se de ser o terceiro ministro da Economia há mais tempo em funções no universo dos países da União Europeia.
Era um homem que, repetidamente, enchia os ecrãs da televisão com os seus anúncios desbocados e com gaffes que enriqueceram o anedotário nacional. E assim foi até ao fim. Coerente no estilo, curioso e, por vezes, interessante no conteúdo.
Manuel Pinho, membro da fantástica dupla Pino & Lino, vai fazer falta ao sistema. Porque sem personagens como esta, o sistema fica mais cinzento e, convenhamos, mais petrificado.
O homem dava um imenso contributo para a criatividade da comunicação social e da blogoesfera. Mas, ao menos, todos sabíamos que havia um ministro da Economia em funções.
O mesmo não se poderá dizer de algumas personagens que vegetam no governo há quase cinco anos.
Alguém sabe quem é e o que faz o ministro do Ambiente? E o ministro da Cultura?
O da Justiça, sabe-se quem é, mas é como se não existisse... O da Agricultura também parece que não fez grande coisa. E por aí adiante.
Manuel Pinho estava no pólo oposto. Era estriónico e voluntarioso. Ninguém se vai esquecer dele. É sempre assim, quando se escrevem obituários políticos. De repente, a nostalgia e alguns remoques de consciência à mistura fazem com que os pecadilhos se transformem em virtudes...

Quinta-feira, Julho 02, 2009

O estado da Nação


Bokassa está no Algarve

O Bokassa da ilha das bananas estará hoje em Faro para apadrinhar o lançamento da candidatura de Macário Correia à Câmara.
E eu que começava a simpatizar com as ideias do Macário...

Uma por semana


Os responsáveis da Justiça em Portugal queixam-se muito dos media, mas passam a vida a dar entrevistas.
Hoje, o Público tráz a vigésima sétima de Maria José Morgado em 2009.
Pior só a Cândida Almeida!
Estas doutas senhoras parecem-se muito com aqueles médicos que perdem mais tempo a conversar com os delegados de informação médica do que a receber e a tratar doentes.
Se trabalhassem mais e falassem menos, isto talvez estivesse um pouquinho melhor.

Exemplo encarnado

Será que não se pode seguir o exemplo do Benfica nas próximas eleições legislativas...
Uma simples providência cautelar e suspendiam-se as listas do PSD e do PS.
Depois... era só escolher entre Louçã, Jerónimo e Portas.
Era mais emocionante e tinha mais piada!

Quarta-feira, Julho 01, 2009

120 anos depois...


Foi há 120 anos que se inauguraram as ligações regulares de comboio entre Faro e Lisboa (Barreiro).
Em 1 de Julho de 1889, apesar do entusiasmo das autoridades locais e da população, os poderes políticos da capital do país não ligaram peva ao acontecimento, como se lê no excelente relato da efeméride publicado pelo Barlavento.
A ligação da, então remota, região do Algarve ao país em pouco mais de 13 horas (!) não sensibilizou «nem Majestades, nem Altezas, nem ministros».
Como sempre aconteceu em matéria de obras, equipamentos ou serviços públicos o Algarve foi deixado para último.
Assim aconteceu com a auto-estrada do Sul, com a Via do Infante, com a modernização e electrificação da Linha do Sul (uma esquecida benesse do mal amado Euro 2004), com o Hospital Central do Algarve, com a própria Universidade do Algarve, com o saneamento básico e com abastecimento de água.
Em quase tudo nós, algarvios, somos tidos como portugueses de segunda.
E, não fosse o turismo, as coisas seriam bem piores!

Tão amigos que nós fomos...

Parece que a cooperação estratégica acabou...
Há coisas que o algarvio de Boliqueime não perdoa. E Sócrates está agora a pagar com juros e correcção monetária a afronta totalmente inconsequente que fez ao presidente na questão do Estatuto dos Açores. Erro clamoroso!
Mas esses eram os tempos do animal feroz, da arrogância e das sondagens confortáveis para o primeiro ministro...
Se fosse hoje tudo seria diferente. A avaliar pelos adiamentos do TGV e do aeroporto, a aprovação daquele diploma seria com toda a certeza adiada para a nova legislatura.
Por escrúpulo democratico, claro!

Segunda-feira, Junho 29, 2009

"Jamais" ou a política à portuguesa


Eu disse mas não disse,
Eu não sabia mas sabia,
Eu não interfiro mas interfiro,
Eu não demito mas demito.

Protagonistas: PR, PM e os ministros do costume.

P.s. Um dos tradicionais trunfos políticos de Cavaco foi a gestão magistral dos seus silêncios. Ultimamente, tal como o engenheiro, adoptou uma nova personalidade, mais faladora e expansiva. E, então, começaram a sair asneiras e... os desmentidos.
Acho que o gabinete de comunicação do Palácio de Belém não vai ter férias...

Estamos próximos do fim...

Foi o que pensaram os poucos socialistas de bom senso que ainda existem quando ouviram o ministro das finanças a dizer que estamos próximos do fim da crise...
O povo que, soubémos hoje, é feliz já estava habituado à dupla Pino & Lino para animar a malta e enriquecer o anedotário nacional.
A Teixeira dos Santos cabia normalmente outro papel no teatro governamental. Mais sério e paternalista. Tipo avôzinho distinto e simpático que cuida dos dinheiros dos netos. Agora, com esta "boutade" foi o desastre total. Está tudo baralhado!
O ministro podia ter dado uma de culto e ter dito, como Churchill, que isto não era o princípio do fim da crise, mas sim o fim do seu príncipio... Teria saído melhor e obrigava os jornalistas a irem à Wikipedia indagar sobre quem foi esse tal de Churchill. Será algum primo do Keynes, o súbito mentor da política económica do engenheiro?

P.s. Contudo, vendo isto de outro prisma, até pode ser que o homem tenha razão. Afinal, segundo outra ilustre personagem que já dirigiu as finanças do burgo e que agora quer ser primeira-ministra, esta crise não passa de um abalozinho...